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19 de ago. de 2009

Redes complexas: Internet

Solé em “Redes Complejas. Del genoma a Internet” trata da complexidade, baseada no estudo das redes que conectam todo tipo de elementos que definem sociedades, ecossistemas cérebros, etc.
Nesse sentido o autor destaca o aparecimento desde o final do século XX da Internet. Uma das propriedades mais importantes da Internet é sua eficiência. Não precisamos esperar vários dias para encontrar o que procuramos, mesmo que o que procuramos possa ser uma agulha no palheiro (p. 57). A complexidade desta rede aumentou muito depressa, ocorreu um crescimento exponencial fora do alcance de um comitê de especialistas capazes de organizar a rede global.
Segundo pesquisas, o número de usuários de computador vai dobrar até 2012, chegando a 2 bilhões. A cada dia, 500 mil pessoas entram pela primeira vez na Internet, a cada minuto são disponibilizadas 20 horas de vídeo no YouTube e a cada segundo um novo blog é criado. Em 1982 havia 315 sites na Internet. Hoje existem 174 milhões. Mais informações clique aqui
Uma rede crescente como a Internet (que cresce exponencialmente e que, possivelmente no futuro estará disponível para quase toda população) é um caminho indispensável e necessário inclusive no que concerne ao desenvolvimento e aprimoramento de mecanismos de governo eletrônico e democracia digital. Com o aumento da complexidade da sociedade e do Estado, os mecanismos político-jurídicos devem acompanhar essas mudanças, caso contrário correm o risco de ficar parados nas velhas concepções da modernidade, incapazes de responder aos problemas dessa nova realidade.
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12 de ago. de 2009

O Estado como “novíssimo movimento social”

Em “La democracia electrónica”, Jordi Sànchez i Picanyol fala sobre a falta de adequação da ação política com relação às mudanças sociais. Nesse sentido a progressiva utilização das novas tecnologias, com destaque para a internet, pode contribuir, mesmo que parcialmente, para gerar reformas profundas na vida política. (p. 113). O autor também destaca que nos últimos anos o espaço do mundo local vem ganhando força por meio da ação política de suas instituições, neste ponto a participação cidadã torna-se uma contribuição imprescindível (p. 21). Uma das reflexões sobre a utilização da rede nesse contexto de mudança social é a previsão, segundo o autor, de que a internet terá um melhor ajuste nos espaços de ação política não formalizados institucionalmente, exemplo disso são os movimentos sociais que defendem uma “outra” globalização (p. 30).

Interessante a partir dessa perspectiva é o desenvolvimento do conceito de Estado como novíssimo movimento social, noção trabalhada por Boaventura de Sousa Santos em “A gramática do tempo”. Diante da crise do Estado moderno, uma das concepções que surge é aquela que propõe uma articulação privilegiada entre o princípio do Estado e da comunidade. Para Santos sob a mesma designação de Estado, emerge uma “nova forma de organização política mais vasta que o Estado, de que o Estado é o articulador e que integra um conjunto híbrido de fluxos, redes e organizações em que combinam e interpenetram elementos estatais e não estatais, nacionais, locais e globais.”(p. 364).

Nesse caso é evidente o papel da democracia eletrônica, representa uma possibilidade de aumento do poder e da participação da sociedade na política, colaborando para o que Santos chama, de uma “reinvenção solidária e participativa do Estado”. Mais informações: A reinvenção solidária e participativa do Estado.
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5 de ago. de 2009

Modificações na legislação sobre o uso da internet nas eleições de 2010

Pérez Luño discorre sobre a teledemocracia em seu livro Ciberciudadaní@ o ciudadaní@.com?. Teledemocracia designa o conjunto de teorias e fenômenos práticos referentes a incidência das novas tecnologias na política, pode também ser definida como a projeção das novas tecnologias nos processos de participação política das sociedades democráticas. (p.60) A teledemocracia é classificada a partir de uma versão débil (partidos políticos - democracia representativa) e outra forte (participação direta do cidadão).
Inserida na versão débil de teledemocracia podemos citar a noticia sobra as modificações na legislação sobre o uso da internet nas eleições, especificamente para a campanha de 2010. Tramitam na Câmara pelo menos cinco projetos de lei que permitem o acesso virtual dos políticos aos eleitores brasileiros. Entre as propostas, destaca-se a possibilidade de os candidatos arrecadarem dinheiro pela rede mundial de computadores. Um dos projetos apensados à proposta é a possibilidade de doar dinheiro para campanhas com pagamento por cartões de crédito pela internet, além da possibilidade de realizar propaganda eleitoral na rede mundial de computadores. Outro projeto obriga os candidatos a divulgarem diariamente na internet relatórios com as doações e os gastos de campanha. Mais informações clique aqui.
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14 de jul. de 2009

Menos de 2% dos pobres no Brasil têm acesso à internet

Em “A Ciência e a ética da responsabilidade” (O homem máquina: a ciência manipula o corpo. Cia das Letras, 2003) Berlinguer analisa como as novas tecnologias e instrumentos de luta contra as doenças não têm tido a mesma distribuição. “Ao contrário, os benefícios das descobertas biomédicas não são universais, e sim, seletivos, e podem contribuir, mesmo que involuntariamente, para o aumento das desigualdades.” (p.196).
Fazendo uma analogia com o acesso a internet, podemos verificar que no Brasil somente 1,7% das casas mais pobres contam com esta forma de comunicação, esse número surge de um levantamento, realizado em 2007 e divulgado neste ano, graças ao novo Sistema de Informação Estatístico regional, criado pelo Observatório para a Sociedade da Informação da América Latina e Caribe (OSILAC), da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). Este sistema permite processar, como informou a Cepal, dados sobre o uso e acesso às chamadas "Tecnologias da Informação e as Comunicações" (TIC) da região.
Maiores informações no site: http://www.abin.gov.br/modules/articles/article.php?id=4184
A partir desses dados, cabe a consideração sobre a importância do acesso a internet por toda a população. Se pensarmos o governo eletrônico como uma infra-estrutura que permite maior participação cidadã no governo então uma das grandes preocupações é que todos tenham acesso a internet e que essa tecnologia não seja um fator a mais de desigualdade, mas sim um instrumento democrático de resistência e de possibilidade de mudanças sociais.
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7 de jul. de 2009

Sociedade de controle, sociedade de consumo e governo eletrônico

Em “Biopoder, Biopolítica e o Tempo Presente”(O homem máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Cia. das Letras, 2003) Maia descreve o biopoder (conforme o pensamento de Foucault) em duas dimensões: “por um lado, a administração parcelarizada dos corpos, revelada por uma anatomia política em que o corpo humano é tratado como máquina; por outro, a gestão global da vida, posta em funcionamento mediante uma biopolítica da população, na qual o corpo humano é considerado elemento de uma espécie.” (p. 78)
Deleuze, a partir das interpretações foucaultianas, caracteriza nosso tempo presente com a idéia de sociedade de controle, isso devido ao crescimento das tecnologias no campo da informática, e o correlato desenvolvimento dos mecanismos de vigilância e controle (p. 98).
O consumismo torna-se uma das bases de sustentação dessa sociedade. Segundo Bauman na modernidade líquida, a lógica da vida é orientada pelo consumo e para o consumo, o papel político dos indivíduos na sociedade é o de ser consumidor.
Neste sentido é importante refletir sobre o uso das tecnologias de informação pelo governo e o impacto na política. Uma das questões que pode ser levantada é o uso de sites públicos que estabelecem uma relação muitas vezes de consumo com o cidadão, onde geralmente é oferecido serviços e notícias, tal como sites comerciais, e não há um espaço de participação e debate. Um exemplo é o site da prefeitura de Florianópolis.
Entretanto o uso das tecnologias da informação também pode se dar de forma positiva. Hardt e Negri (Império e Multidão) consideram que o biopoder também é potência de vida, biopotência da multidão. Assim as tecnologias de informação aparecem como um caminho para democracia. “A criação da multidão, sua inovação em redes e sua capacidade de tomada de decisão em comum tornam hoje a democracia possível pela primeira vez. A soberania política e o governo do uno, que sempre solaparam qualquer verdadeira noção de democracia, tendem a parecer não só desnecessários como absolutamente impossíveis”(Multidão)
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18 de jun. de 2009

Velocidade, tecnologia e movimentos de resistência

Virilio, em sua obra Velocidade e Política (São Paulo: Estação Liberdade, 1996), trabalha com o termo dromologia, definido como o estudo da velocidade. Virilio considera a velocidade como valor e medida a partir do advento da revolução técnica e com a construção da ciência e da tecnologia como fontes de desenvolvimento e progresso.

A partir do momento que a velocidade passa ser a “medida”, ela divide a humanidade em povos esperançosos, os que capitalizam a velocidade para continuarem projetando-a infinitamente e povos desesperançosos que são imobilizados pela inferioridade de seus veículos técnicos, vivendo e subsistindo num mundo finito. A lógica aproximada do saber/poder é eliminada, cedendo lugar ao poder/mover, isto é, ao exame das tendências, dos fluxos.(p. 57)

Neste sentido, podemos fazer um paralelo com os recentes estudos des-coloniais. Para estes teóricos os conceitos de modernidade e colonialidade expressam o controle econômico e cultural dos grupos subalternos e também o controle e o silenciamento dos saberes subalternos. Sendo assim, o “colonizador” representa o avanço, a razão, a ciência, a tecnologia, em contraste com o “colonizado” que representa o atraso, a violência, as tecnologias obsoletas, etc.

Entretanto, embora a velocidade e a tecnologia colaborem para o estabelecimento de uma hierarquia etno-racial global, na atualidade também podem atuar como elementos resignificados a favor dos subalternizados. Novas formas de intervenção política, Internet e tecnologias digitais, são utilizadas pelos movimentos de resistência a nível mundial. Um dos exemplos que podemos citar é a página do FSM na Internet que atua ativamente como instrumento de articulação global contra-hegemônica.

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